Complexidade e estratégia

Para que as empresas lancem mão de estratégias que possam verdadeiramente contribuir para o desempenho global do sistema, é fundamental que cada uma das partes do sistema – ainda que seja um sistema fortemente departamentalizado – execute suas ações de acordo com a estratégia estabelecida de forma que os resultados obtidos possam convergir em benefício da organização como um todo. Muito embora a questão da estratégia nasça nas empresas sob a forma de um Planejamento Estratégico formal, é preciso discutir se a estratégia da empresa atende a complexidade deste sistema.

Um dos pontos principais de qualquer estratégia é a avaliação periódica a fim de se garantir que a estratégia adotada esteja levando a organização ao rumo esperado. É importante também que a estratégia contemple a complexidade do sistema, ou seja, que sejam estimuladas as interações entre as partes constituintes das organizações, pois não se cresce, nem se aprende a viver nesse complexo de relações interdependentes, sem conflitos.[i]

Podem ser relacionados alguns pontos importantes em termos da criação de uma estratégia que leve em consideração os aspectos complexos da organização:[ii]

a)    criar valores compartilhados: elaborar premissas de decisões compartilhadas e uma cultura de valores comuns;

b)   redefinir as funções gerenciais: os gerentes precisam criar, manter e defender a capacidade criativa voltada para a geração de vantagem competitiva;

c)    avaliar resultados: a avaliação de desempenho tradicionalmente recompensa pessoas, setores ou unidades de negócio locais. Por conta da interdependência complexa das organizações, a avaliação deve criar um vínculo entre o desempenho local e os resultados gerais.

Organizações são, então, ambientes complexos pelo fato de que as pessoas que nela estão agregadas mostrarem que é mais eficaz coletar e processar recursos do que seria se cada indivíduo o realizasse isoladamente.[iii] Pode-se dizer, então, que a partir do momento em que o conhecimento dos indivíduos e as suas qualidades encontrarem espaço para fluir e que houver o entendimento de que somente o bom desempenho de todas as partes garantirá um bom desempenho global do sistema, as organizações encontrarão condições de gerenciar as mudanças que ocorrem.


[i] MCGREGOR, Douglas. O lado humano da empresa. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1992.

[ii] BAND, William. Competências críticas: dez novas idéias para revolucionar a empresa. Rio de Janeiro: Campus, 1997.

[iii] AGOSTINHO, Marcia Esteves. Complexidade e organizações: em busca da gestão autônoma. São Paulo: Atlas, 2003.

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Sobre Fabiano Goldacker

A Ponte ao Futuro é onde eu consigo aliar minha vocação com a minha paixão, que são as pessoas. Trabalhar com pessoas e desenvolver equipes é uma grande paixão, e depois de mais de dez anos atuando como gestor de grandes equipes acabei descobrindo que essa também é minha vocação. Unir essa vocação com a minha paixão faz com que surja um sentimento muito nobre, o qual eu quero contribuir para que as pessoas encontrem: a realização profissional.
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