Qualidade, produtividade e competitividade

Já que a qualidade desde o projeto e a qualidade de conformação (fazer conforme as especificações, conforme o projeto) são muito importantes para a competitividade, é importante entender como a qualidade contribui para o desempenho das empresas.

As atividades ligadas à qualidade também assumiram diferentes características ao longo do tempo. É comum encontrar ênfase na inspeção, na qual produtos defeituosos são separados para que não cheguem ao mercado. Observam-se também ações ligadas ao tratamento das causas da má qualidade, suportada pelo uso de ferramentas estatísticas para o controle dos processos, assim como também há gestão da qualidade total, que além de abranger as atividades já citadas, foca em alguns elementos específicos: liderança, envolvimento dos funcionários, excelência de produto/processo e foco no cliente.

Mas qual a relação entre qualidade e produtividade? O dicionário Houaiss[i] define produtividade como: 1. proveitoso; 2. frutífero; 3. de que se obtém proveito. Outros autores também definem produtividade. Para Gaither e Frazier[ii], produtividade significa a quantidade de produtos ou serviços produzidos com os recursos utilizados. Esta relação pode ser expressa por meio da seguinte fórmula:

Produtividade = quantidade de produtos produzidos ÷ quantidade de recursos utilizados

Já Davis, Aquilano e Chase[iii] entendem que a produtividade demonstra como as entradas são convertidas em saídas. Propõem ainda a seguinte fórmula para determinar a produtividade:

Produtividade = saídas (outputs) ÷ entradas (inputs)

Para Moreira[iv], produtividade refere-se ao maior ou menor aproveitamento dos recursos no processo de produção, ou seja, diz respeito a quanto se pode produzir partindo de uma certa quantidade de recursos.

Com base nestes conceitos, pode-se concluir que o aumento da produtividade implica numa melhor utilização dos recursos disponíveis para a empresa (mão-de-obra, máquinas, energia elétrica, combustíveis, matéria-prima, etc…). E quando se fala em “melhor utilização dos recursos”, é importante salientar que a qualidade é um fator que está implícito. Quer dizer, a produtividade não é medida somente pelo aumento do número absoluto de peças produzidas, mas principalmente pelo índice de qualidade (neste caso, a qualidade sendo definida como ausência de defeitos e conformidade com os requisitos) observado no processo produtivo.

Portanto, é correto dizer que somente se obtém produtividade num processo se este mesmo processo for capaz de gerar qualidade, ou seja, um alto índice de produção com um baixíssimo índice de defeitos e retrabalho. Assim, há uma relação direta entre qualidade e produtividade, tornando impossível separar estes dois conceitos.

No caso da produtividade, Davis, Aquilano e Chase afirmam que a competitividade de uma empresa refere-se a como ela compete com as outras empresas em seu mercado. A concorrência em todos os mercados tem aumentado significativamente nos últimos anos, especialmente para as empresas que atuam internacionalmente. Esta é uma tendência que deve continuar. Para prosperar num ambiente tão competitivo (e não apenas sobreviver), as empresas precisam se diferenciar da sua concorrência. Nestas situações, o único diferencial que muitos mercados irão enxergar é o preço. Para tanto, somente quem produz com baixo custo poderá ter sucesso.

Com base no que foi visto sobre qualidade e produtividade, torna-se possível fazer uma ligação entre estes dois conceitos e o conceito de competitividade, pois o aumento dos índices de produtividade e de qualidade deve gerar uma melhoria da competitividade e um aumento dos lucros para a empresa. Isto se justifica pela seguinte relação: o aumento da produtividade, com consistente aumento da qualidade, implica numa redução dos custos de produção. Este fato acontece porque cada unidade de um produto fabricado foi obtida a partir de uma menor utilização de recursos, o que irá puxar o custo unitário de produção para baixo.

Esta situação possibilita à empresa vender seus produtos no mercado com um preço menor. Com isto, a empresa verá que sua condição de competitividade será melhorada, podendo aumentar sua participação no mercado, preservando sua lucratividade.


[i] HOUAISS, Antônio; et al. Minidicionário Houaiss da língua portuguesa. 2. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.

[ii] GAITHER, Norman; FRAZIER, Greg. Administração da produção e operações. 8 ed. São Paulo: Thomson Learning, 2006.

[iii] DAVIS, Mark M.; AQUILANO, Nicholas J.; CHASE, Richard B. Fundamentos da administração da produção. 3 ed. Porto Alegre: Bookman, 2001

[iv] MOREIRA, Daniel Augusto. Administração da produção e operações. 2 ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008.

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Sobre Fabiano Goldacker

A Ponte ao Futuro é onde eu consigo aliar minha vocação com a minha paixão, que são as pessoas. Trabalhar com pessoas e desenvolver equipes é uma grande paixão, e depois de mais de dez anos atuando como gestor de grandes equipes acabei descobrindo que essa também é minha vocação. Unir essa vocação com a minha paixão faz com que surja um sentimento muito nobre, o qual eu quero contribuir para que as pessoas encontrem: a realização profissional.
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