A qualidade de projeto e a qualidade de conformação

No post anterior vimos que atualmente o conceito de qualidade supera a tradicional ideia de que, para se ter qualidade, bastaria para uma empresa produzir e vender seus produtos e serviços sem defeitos. O conceito atual é mais amplo e leva em conta a satisfação do consumidor para com o que foi comprado, a segurança e a estética do produto, entre outros fatores.

De acordo com Davis, Aquilano e Chase[i], no princípio, a qualidade era atingida somente por meio da inspeção, ou seja, separar produtos defeituosos para que eles não chegassem ao mercado. Em seguida, o conceito de controle da qualidade (CQ) trouxe uma abordagem que tinha como objetivo tratar as causas da má qualidade. A garantia da qualidade, por sua vez, ampliou a responsabilidade da área da qualidade e trouxe ferramentas estatísticas mais modernas para servirem como suporte às atividades de controle. Por fim, a gestão da qualidade total envolveu todas as fases anteriores, mas desenvolveu também quatro elementos específicos: liderança, envolvimento dos funcionários, excelência de produto/processo e foco no cliente.

Mas é importante destacar que toda e qualquer política para garantia da qualidade nos processos industriais deve começar pelo projeto. Isto se justifica porque se o projeto de um produto é mal feito ou diversos problemas afetam seu desenvolvimento e conclusão, dificilmente este projeto irá gerar um produto de boa qualidade. Paladini[ii] comenta que é importante entender primeiramente o que o mercado deseja, o que não é fácil porque as informações do mercado invariavelmente são confusas e ambíguas.

Tendo feito a concepção do produto a partir do desenvolvimento do projeto, a etapa seguinte é elaborar as informações técnicas para que seja viabilizada a produção do que foi projetado. Estas informações, contidas nas fichas técnicas, têm as especificações claras e objetivas que são necessárias para a produção e devem levar em consideração os requisitos fundamentais para a segurança e qualidade do processo.

A qualidade do projeto poderá abranger diversas dimensões diferentes do produto durante seu desenvolvimento. Todas têm relação com a qualidade. Exemplo: alguns projetos de produtos podem ser desenvolvidos com o objetivo de reduzir os riscos durante sua utilização (máquinas industriais), reduzir ruídos e emissão de poluição (indústria automobilística), etc. Enfim, há uma preocupação não somente com a eficácia do produto (fazê-lo funcionar), mas principalmente com a sua eficiência (de que maneira ele funciona, quais as consequências ao seu funcionamento).

Então, a qualidade do projeto tem a finalidade de determinar as características que se fazem necessárias ao produto para que este atinja as expectativas dos consumidores. Já a qualidade de conformação estipula a relação existente entre o projeto do produto e seu processo de fabricação, ou seja, são as ações necessárias para garantir que o produto seja fabricado rigorosamente de acordo com o seu projeto. Assim, quando o processo produtivo conseguir gerar ao menos uma unidade do produto de acordo com o projeto, pode-se dizer que o projeto é manufaturável. Mas é importante garantir também a reprodutibilidade do projeto, ou seja, garantir que o produto possa ser produzido repetidas vezes com resultados condizentes com o seu projeto.

Para isto é importante providenciar um bom controle do processo, com a finalidade de evitar que este sofra variações que influenciarão a qualidade do produto. Em outras palavras, embora seja fundamental considerar que a avaliação mais importante sobre a qualidade de um produto é feita pelo cliente, as empresas devem voltar suas atenções às questões básicas da qualidade: desenvolver bons projetos, que resultem em produtos de ótimo desempenho, e assegurar que os processos manufaturem estes produtos com um baixíssimo índice de defeitos e perdas. Desta forma as empresas conseguem se tornar produtivas.

[i] DAVIS, Mark M.; AQUILANO, Nicholas J.; CHASE, Richard B. Fundamentos da administração da produção. 3 ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.

[ii] PALADINI, Édson Pacheco. Gestão estratégica da qualidade – princípios, métodos e processos. São Paulo: Atlas, 2008.

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Sobre Fabiano Goldacker

A Ponte ao Futuro é onde eu consigo aliar minha vocação com a minha paixão, que são as pessoas. Trabalhar com pessoas e desenvolver equipes é uma grande paixão, e depois de mais de dez anos atuando como gestor de grandes equipes acabei descobrindo que essa também é minha vocação. Unir essa vocação com a minha paixão faz com que surja um sentimento muito nobre, o qual eu quero contribuir para que as pessoas encontrem: a realização profissional.
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