A aprendizagem organizacional e o ciclo de vida das empresas

Para muitas empresas, sua principal força e diferencial em comparação com a concorrência é o contínuo lançamento de novos produtos ou serviços. A inovação (quando se tratar de uma tecnologia revolucionária) ou a evolução de modelos que já existem (quando se tratar de tecnologia sustentadora) são fundamentais não somente para aumentar seu market share, mas principalmente para manter a demanda já existente por seus produtos ou serviços. Entra neste espaço um aspecto muito estudado pela Administração, sobretudo pelo Marketing e pelas áreas de Pesquisa e Desenvolvimento: o conceito de obsolescência. As empresas apostam no estudo da obsolescência dos produtos para manterem-se competitivas, pois a maioria dos produtos tem um ciclo de vida bem definido.

 Outra expressão que caracteriza um breve ciclo de vida é o modismo. Philip Kotler, guru do Marketing, lembra que o modismo é algo que surge rapidamente e é adotado pelos consumidores com grande entusiasmo e chega logo à maturidade. Por outro lado, entra rapidamente em declínio. Os produtos ou serviços frutos de modismo geralmente não atendem a uma necessidade específica e seu nicho de mercado e sua aceitação são limitados.

Embora estas definições sejam amplamente empregadas pelo Marketing para estudar os produtos e serviços, penso que tanto o modismo quanto o ciclo de vida se encaixam perfeitamente para os modelos de gestão das organizações. As empresas também têm um ciclo de vida e também podem tornar-se obsoletas, não só em termos de tecnologia de equipamentos ou portfólio de produtos, mas principalmente em termos de pensamento e gestão.

Esta questão de ciclo de vida organizacional é abordada por Peter Senge, em seu livro “A Quinta Disciplina”, ao mostrar que a busca das organizações por um rápido crescimento poderá levá-las, também, a uma precipitação do seu declínio. Embora a obra de Peter Senge procure mostrar o quanto o pensamento sistêmico é importante para as organizações, há uma preocupação muito grande do autor em evitar que esta abordagem também seja considerada um modismo. Porém, não acredito que a Quinta Disciplina e as organizações que aprendem pertençam à categoria dos modismos gerenciais, pois as organizações têm que aprender continuamente para não tornarem-se obsoletas e verem que seu ciclo de vida aproxima-se rapidamente do fim.

A busca pela competitividade numa empresa passa, então, pelo treinamento e formação das pessoas. Mas se entendemos que o aprendizado é fundamental para o desenvolvimento profissional e o crescimento de todas as empresas e todas as pessoas, por que o aprendizado contínuo é muitas vezes deixado de lado pelas organizações? Assim como acontece para qualquer pessoa, aprender é uma ação que poderá sustentar o crescimento das empresas. A aprendizagem organizacional é, portanto, posicionada como algo importante para a vantagem competitiva das organizações.

Martin Cristopher, professor de Marketing e especialista em gestão da cadeia de suprimentos, sustenta esta necessidade afirmando que, com a mudança do perfil do mercado consumidor e a globalização, as empresas têm visto a necessidade de buscar novas vantagens competitivas para se manterem frente à concorrência, principalmente se levarmos em conta o aumento da exigência dos clientes, o aumento da tecnologia e o risco cada vez maior de perda do valor de marca das empresas.

Entendo também que o aprendizado contínuo é uma atitude necessária à manutenção da condição atual das empresas em termos de market share e competitividade. Mas como uma organização aprende? Creio que a melhor maneira de se aprender é ouvindo e interagindo. Ouvir e interagir com o mercado e com os clientes internos. Ouvir e interagir com os fornecedores e com a sociedade.

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Sobre Fabiano Goldacker

A Ponte ao Futuro é onde eu consigo aliar minha vocação com a minha paixão, que são as pessoas. Trabalhar com pessoas e desenvolver equipes é uma grande paixão, e depois de mais de dez anos atuando como gestor de grandes equipes acabei descobrindo que essa também é minha vocação. Unir essa vocação com a minha paixão faz com que surja um sentimento muito nobre, o qual eu quero contribuir para que as pessoas encontrem: a realização profissional.
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