A mortalidade das empresas

Organismos vivos buscam crescer de forma saudável e sustentável. Devem cuidar de sua saúde e crescer, até porque seu crescimento é inevitável assim como também é inevitável que a sua vida termine um dia. As empresas também são organismos e, por conta disto, buscam crescer continuamente. O objetivo deste crescimento não deve ser somente uma questão de cobiça, ganância ou poder. Deve acontecer em função da necessidade que cada empresa tem, como organismo vivo, de se desenvolver, de cooperar com o ambiente e de ser útil ao mercado. Penso que quando um destes objetivos se perder ou cessar, a empresa começa a trilhar o caminho de declínio no seu ciclo de vida.

Assim como acontece na natureza, no mundo dos negócios muitas empresas são presas e outras são predadoras. Algumas crescem em ambientes saudáveis e até pacíficos e outras em ambientes hostis. Enfim, há algumas semelhanças entre as empresas e organismos vivos. Mas há uma semelhança que não precisa existir entre empresas e organismos vivos: o fim de seu ciclo de vida. A maioria dos organismos vivos irá, um dia, perecer. Porém, quando falamos das empresas, sobretudo no Brasil, a situação é preocupante. Uma pesquisa realizada em 2010 pelo Sebrae de São Paulo apontou que 27% das empresas fecham em seu primeiro ano de atividade e 64% fecham até o seu sexto ano de atividade. A pesquisa também identificou alguns fatores são identificados como causas que levam ao fechamento das empresas:

a)    comportamento empreendedor pouco desenvolvido;

b)   falta de planejamento prévio;

c)    gestão deficiente do negócio;

d)   insuficiência de políticas de apoio;

e)    flutuações na conjuntura econômica;

f)    problemas pessoais dos proprietários.

O resultado da pesquisa não parece ser novidade. Aliás, os itens listados acima também não parecem ser novidade. No entanto, deixando de lado as questões políticas e econômicas, vê-se que os administradores em geral cometem erros semelhantes, que levam as empresas a um destino trágico. Mas este fim trágico não precisa servir de regra para as empresas, principalmente se levarmos em consideração as empresas industriais.

Muitos conceitos da Administração como ciência foram desenvolvidos em função da observação a alguns processos produtivos. Outros conceitos da Administração têm origens históricas (Igreja, exércitos, etc.). Mas penso que se observa cada vez mais a necessidade de se dar uma nova leitura, ou até modernizar, os conceitos tradicionais da Administração, pois além dos fatores que causam a mortalidade das empresas, apontados pela pesquisa do Sebrae-SP, a alta taxa de mortalidade das empresas também se justifica pelo fato de que a maneira como as empresas são gerenciadas e o pensamento dos seus gestores não evolui com o tempo.

Estas maneiras tradicionais (para não dizer ultrapassadas) de gestão não mais contribuem para a produtividade das empresas da forma como contribuíam no passado. Estes métodos tradicionais, em geral, também são mais rígidos e eram aplicados com mais facilidade no passado, época em que as pessoas tinham menos informação e costumavam resignar-se aos desígnios das instituições, que tinham mais força.

O modelo vislumbrado para o futuro mostra um mercado cada vez mais baseado em informações e que tem como objetivo fornecer valor ao cliente. Mas se as empresas querem este grau de evolução, esta deve começar a acontecer de dentro para fora. Acredito que qualquer mudança em termos de evolução na maneira como as empresas querem se relacionar com o mercado será efêmera se as empresas ignorarem a necessidade de evoluir na relação com seus funcionários. Desta forma, penso que o crescimento econômico e financeiro é uma conseqüência do crescimento da empresa no que diz respeito ao seu relacionamento com seus colaboradores.

Link para a pesquisa do Sebrae:

 http://www.sebraesp.com.br/conhecendo_mpe/mortalidade

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Sobre Fabiano Goldacker

A Ponte ao Futuro é onde eu consigo aliar minha vocação com a minha paixão, que são as pessoas. Trabalhar com pessoas e desenvolver equipes é uma grande paixão, e depois de mais de dez anos atuando como gestor de grandes equipes acabei descobrindo que essa também é minha vocação. Unir essa vocação com a minha paixão faz com que surja um sentimento muito nobre, o qual eu quero contribuir para que as pessoas encontrem: a realização profissional.
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Uma resposta para A mortalidade das empresas

  1. Daniela disse:

    Legal Fabiano! Parabéns pela iniciativa do Blog!

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