Reter talentos é fonte de vantagem competitiva para as empresas

Muitos especialistas têm defendido que a história humana pode ser dividida em três épocas bem distintas. O escritor e futurólogo americano Alvin Toffler entende que a primeira fase foi a Onda da Agricultura, seguida pela Onda da Industrialização e pela Onda da Informação. De maneira semelhante, o consultor em Administração americano Peter Drucker afirma que após a Era da Agricultura e da Era Industrial, estamos vivendo a Era do Conhecimento.

Mas, por mais contraditório que possa parecer, uma empresa precisa de muito mais do que tecnologia da informação para gerar conhecimento e ser uma empresa criadora do conhecimento. Por conta disto é que existem os mercados do conhecimento. E assim, como diria o educador e professor brasileiro Pedro Demo, o conhecimento acaba sendo tratado como mercadoria que se adquire. Como conseqüência disto, muitas empresas vão às compras, pois às vezes a maneira mais fácil e direta de se adquirir conhecimento é por meio da compra de empresas ou da contratação de pessoas que detêm um conhecimento específico, desejado pela empresa.

Desta forma, tem sido possível evidenciar nos últimos anos um aumento significativo no número de fusões e aquisições de empresas, sobretudo casos de empresas de capital internacional que adquirem empresas nacionais. Naturalmente, este processo tem diversos objetivos, os quais não serão aqui mencionados, mas vale destacar que a aquisição de conhecimento e a aprendizagem representam objetivos importantes neste processo, muitas vezes de forma bem explícita. As aquisições de empresas acabam se tornando uma via mais rápida para se adquirir um determinado conhecimento. As fusões, por sua vez, são caracterizadas pela partilha do conhecimento, fazendo com o que o resultado desta soma seja ainda mais benéfico para as empresas envolvidas no processo.

Assim, surge o conceito de capital intelectual, que é a soma de habilidades e conhecimentos dos indivíduos que compõem a organização. Além da importância de formar este capital intelectual, as empresas devem encontrar maneiras de atraí-lo e retê-lo, assim como expurgar o conhecimento que não lhes é útil ou benéfico. Dessa forma, a empresa se ajusta continuamente às mudanças que são necessárias para fazer com que os objetivos organizacionais sejam atingidos. Portanto, competirá às empresas criar maneiras de satisfazer os interesses das pessoas que trabalham na Era do Conhecimento ou da Informação, pois, do contrário, irá se tornar cada vez mais difícil atrair e reter este capital intelectual a fim de torná-lo produtivo para as organizações.

Muitos autores afirmam que empresas cujas atividades baseiam-se em serviços, tecnologia ou conhecimento terão em seu capital intelectual um valor muito maior do que o valor de seus ativos tangíveis. A partir desta afirmação, pode-se considerar que o conhecimento está se tornando cada vez mais o maior ativo das empresas, muito embora não seja diretamente negociado nas bolsas de valores, e não ser comum medi-lo e registrá-lo nos balanços patrimoniais das empresas. Independente disto, é importante considerar o conhecimento como um ativo e entender a importância de gerenciá-lo e tratá-lo com a mesma importância que os demais recursos organizacionais são tratados.

Mas há uma discussão interessante sobre este tema. Embora a gestão do capital intelectual seja cada vez mais importante para o bom desempenho e competitividade organizacionais, há quem defenda que o conhecimento é algo que não pode ser gerenciado e tampouco o capital intelectual pode ser medido. Este argumento é justificado pelo fato do conhecimento e do capital intelectual não serem tangíveis e por serem altamente voláteis – prova disto é a existência dos mercados do conhecimento.

Apesar destas divergências, considero inquestionável a importância de se gerar e reter o conhecimento. Porém, o panorama vigente faz reconhecer que há uma grande disparidade no grau de conhecimento e de competências entre os gestores e os trabalhadores em geral. Esta é uma característica das organizações burocráticas, pautadas na divisão das tarefas, na especialização do trabalhador e na estruturação hierárquica. Esta característica está presente – em maior ou menor grau – em todas as organizações.

No entanto, observa-se que na Era do Conhecimento a importância dada às pessoas e às relações humanas têm mostrado as deficiências da organização excessivamente burocrática, principalmente no que diz respeito à geração do conhecimento. E, já que as organizações não conseguem criar conhecimento sem as pessoas, cabe aos gestores estarem cada vez mais atualizados à necessidade de fazer com que as organizações sejam atraentes aos olhos das pessoas que detêm o conhecimento, pois este conhecimento irá enriquecer o capital intelectual das empresas e poderá se tornar fonte de vantagem competitiva para as organizações.

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Sobre Fabiano Goldacker

A Ponte ao Futuro é onde eu consigo aliar minha vocação com a minha paixão, que são as pessoas. Trabalhar com pessoas e desenvolver equipes é uma grande paixão, e depois de mais de dez anos atuando como gestor de grandes equipes acabei descobrindo que essa também é minha vocação. Unir essa vocação com a minha paixão faz com que surja um sentimento muito nobre, o qual eu quero contribuir para que as pessoas encontrem: a realização profissional.
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Uma resposta para Reter talentos é fonte de vantagem competitiva para as empresas

  1. Parabéns Fabiano Goldacker por este blog e pelas confiáveis informações que ele disponibiliza
    Gostei do texto que informa sobre as opiniões de Alvin Toffler e de Peter Drucker.
    Com base nas mesmas, é imprescíndivel que antes de fazer qualquer investimento financeiro as empresas consultem um profissional formado em Administração de Empresas com excelente bagagem acadêmica.

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