A divisão de tarefas e a Administração Moderna

A modernidade organizacional tem suas principais raízes nas obras de Max Weber. Alguns autores têm debatido os estudos de Weber, chamando a atenção para o fato de que o pensamento modernista de Weber considerava que a organização moderna era repressiva e constrangedora e não um fenômeno vantajoso ou benéfico. Weber era favorável à modernidade e contra a pré-modernidade, muito embora não fosse nem a favor e nem contra a burocracia. E, apesar da burocracia ser injuriada na visão popular e populista, é atacada com menos freqüência pelos teóricos das organizações.

Vê-se claramente uma proposta para quebrar o paradigma de que a competitividade reside somente nas políticas de produção em escala e baixos custos unitários de produção. Trata-se de uma mudança de perfil nos sistemas produtivos, que passa inevitavelmente por uma mudança no perfil da gestão das organizações. Diante disto, questiona-se a divisão de tarefas, que se consagrou como uma das pedras fundamentais da Administração da Produção, mas que tem se tornado contrária à produtividade.

A divisão de tarefas buscava fazer com que as pessoas se concentrassem numa determinada atividade de forma que pudessem realizá-la da forma mais rápida e correta possível. A linha de montagem de veículos, no início do século 20, é um exemplo bem sucedido de organização da produção com base na especialização das atividades. No entanto, ironicamente, esta especialização tem se mostrado um fator contrário à produtividade. Ao contrário do que se imaginava há um século, trabalhos repetitivos e pouco desafiantes são desmotivadores, fatigantes e acabam propiciando um elevado índice de rotatividade funcional.

A divisão de tarefas caracteriza-se, portanto, como a principal questão da teoria modernista da Administração. Mas nota-se que nos últimos anos muitos teóricos das organizações têm defendido a necessidade de um novo modelo, uma proposta que permita evoluir da teoria moderna – baseada fortemente na Teoria da Burocracia de Max Weber – para uma teoria pós-moderna. A teoria pós-moderna baseia-se numa redução da divisão das tarefas nas organizações, pois os teóricos das organizações acreditam também ser pouco provável que a organização pós-moderna venha a suplantar as formas precedentes de organização. Há também a preocupação de que a teoria das organizações não acompanhe a emergência de novos paradigmas, ou seja, os gestores da atualidade parecem estar conduzindo as mudanças nas organizações sem os benefícios de uma teoria ou modelo que os guie e caracterize o novo paradigma.

Parece também que o novo paradigma está voltado à produção dividida em partes menores, gerenciadas com mais facilidade e tem como premissa a demanda por organizações aprendizes e mais flexíveis. Para resolver isto, as empresas podem buscar a polivalência, que dá às pessoas condições de produzir não somente em quantidade, mas em qualidade e diversificação. Isso é importante porque as condições econômicas atuais e a concorrência têm forçado a adoção de estratégias de diferenciação de produtos de uma forma muito mais freqüente do que em outros tempos. As empresas precisam agregar constantemente novas características e benefícios aos produtos e serviços a fim de atrair a atenção e o interesse do mercado.

Sobre as características da teoria pós-modernista, Richard Daft e Arie Lewin comentam que os gestores estão criando novas formas organizacionais por meio de diferentes combinações do uso de recursos humanos e tecnologia. Afirmam ainda que são os gestores, e não os teóricos das organizações, que praticam o desenho e o redesenho dos modelos organizacionais e que é mais fácil que uma teoria pós-moderna emane das ações dos gestores do que de uma nova teoria organizacional. 

Mas qual seria a característica principal da gestão pós-moderna? Para Stewart Clegg seria necessário quebrar o paradigma da diferenciação e da divisão do trabalho, pois considera pouco provável que a gestão pós-moderna se baseie nas mesmas práticas propostas por Max Weber. Lembra ainda que a era do artesanato (pré-modernidade) era caracterizada por haver um grande estímulo ao aprendizado vertical, ou seja, as tarefas eram menos diferenciadas e podiam ser aprendidas de forma sucessiva, de modo que à medida que dominasse um número maior de competências, a pessoa poderia ascender na hierarquia. Já nas organizações burocráticas, a complexidade das estruturas permite que o indivíduo ascenda na hierarquia ainda que não conheça todos os processos da organização.

No entanto, se citarmos algumas características que as organizações atuais têm desenvolvido, tais como a descentralização na tomada de decisão, o empowerment, a aprendizagem organizacional, a autocoordenação e o downsizing, penso ser correto inferir que uma forma organizacional pós-moderna também estimulará o aprendizado vertical, tendo assim algumas características que lembrem a era pré-moderna.

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Sobre Fabiano Goldacker

Mestre em Administração de Empresas, com graduação em Administração de Empresas e especializações em Gestão Financeira e Gestão Estratégica. Atuo como Gerente Administrativo na FW Indústria e Comércio de Produtos Higiene Ltda. (Blumenau-SC) e atuo como professor universitário e de pós-graduação em cursos de Administração.
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3 respostas para A divisão de tarefas e a Administração Moderna

  1. Cacilda disse:

    Ola, gostaria de lhe pedir ajuda para materia sobre distribuir tarefas

  2. Cacilda disse:

    distribuir tarefas numa organização do estado, isto e, numa organização publica.

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